Eu: Kleiton Camargo :: nascido em 21.07.1985 :: canceriano :: BRASILeiro!!!!!

e-mail

HOME

ARCHIVES


Os conflitos humanos em suas mais complexas formas, como escreveu o nosso grande amigo autor de uma obra grandemente célebre, incluindo seu livro que empresta o nome para o nosso Blogger, W. Somerset Maughan, esse é o cara. De livros a gibis, de músicas a batuques, de sobrados a mocambos, enfím o Blogger mais recheado de particularidades da Web.

BLOGS:

Caminho da Lua

As Brumas de Avalon

Falatório da Keizoca

Sempre Mãe

Dias de Chuva

Gente Que Brilha

As Cartas de Torin

O Oráculo

Pensamentos Mal Passados

Café Preto

Nunca Diga Nunca

Eu Odeio Poodle

Dios Mio!

De Onde Canta o Sol

Queima Jesus

O Mercador de Seda

Sea Mind

O Esquisito

Stranger In A Stranger Land

Escudo do Leste

mid. Nocturne, Opus 9

Domingo, Fevereiro 22, 2004



BRIDGE OVER TROUBLED WATERS .::. Simon & Garfunkel .::.


When you're weary, feeling small,
Quando estiveres cansada, sentindo-se pequena.

When tears are in your eyes, I will dry them all;
Quando as lágrimas estiverem em seus olhos, eu secarei todas elas.

I'm on your site. When times get rough
Eu estou ao seu lado. Quando o tempo estiver ruim

And friends just can't be found,
E os amigos simplesmente não possam ser encontrados

Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas

I will lay me down.
Eu me colocarei

Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas

I will lay me down.
Eu me colocarei

When you're down and out,
Quando você estiver na pior

When you're on the street,
Quando você estiver pelas ruas

When evening falls so hard,
Quando a noite cair duramente

I will comfort you,
Eu confortarei você,

I will take you part
Tomarei conta de você

When darkness comes
Quando a escuridão vier

And pain is all around,
E a dor estiver em toda parte

Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas

I will lay me down.
Eu me colocarei

Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas

I will lay me down.
Eu me colocarei.

Sail on, silver girl,
Navegue, garota de prata,

Sail on by.
Navegue por ai.

You time has come to shine,
Seu tempo chegou para brilhar,

All you dreams are on their way.
Todos os seus sonhos estão em seu caminho.

See how they shine, oh
Veja como eles brilham

If you need a friend,
Se você precisa de um amigo

I'm sailing right behind.
Eu estou a navegar bem perto de você.

Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas

I will ease your mind.
Eu aliviarei sua mente.

Muito boa esta música do Simon & Garfunkel, não acham?
Até mais ...

Comentários:



Sábado, Fevereiro 21, 2004


Resolvi colocar este som de fundo "Nocturne, Opus 9", que é um midi feito a partir desta sublime composição do músico célebre Frederic François Chopin. Mesmo achando chatice algumas músicas repetitivas que geralmente se coloca nos sites por aí, optei por uma composição gostosa e relaxante, creio eu que ela torna um pouco mais agradável a visita, pois adoro a obra de Chopin e cada vez mais quero deixar este blog com a minha cara, com minha personalidade um tanto solitária e com a minha visão do mundo. Espero que vocês apreciem este belíssimo midi, que na verdade nem ao menos parece um, pois sua qualidade é muito boa, procurem, assim como eu, conhecer a obra deste célebre homem, que foi e sempre será um dos maiores compositores de todos os tempos, pois suas composições parecem adentrar a alma e chegar no íntimo de cada um de nós, não sei se vocês conseguem descobrir isto, mas é uma sensação tão introspectiva que temos quando deixamo-nos levar pela batida suave e concentrada do piano.
Quando ouço uma música procuro achar um cenário ideal para poder me deixar levar por ela, a imagem que me vem a cabeça quando ouço as composições do Chopin, é um lugar como se fosse um aconchegante bar, com sua luz tímida e bruxuleante, paredes de cores fortes como cor de vinho ou, até mesmo, de madeira, um lugar com poucas pessoas, uma bebida forte que nos fazem viajar em nossos pensamentos e enxergar espectros ao relento, e logicamente, um pianista descarregando notas em um piano de cauda, tocando uma balada triste e solitária, como se ele estivesse inebriado por uma forte dor na alma, dor esta que tomasse o ambiente da composição do lugar, com suas cores escuras, pessoas desiludidas e vagamente distantes de suas verdadeiras condições, um lugar com bebidas fortes e um ambiente de fuga, enfim, tão suave esta música me é, que só me faz buscar um ambiente sobrecarregado de sentimentos um tanto cautelosos.
Chopin é muito especial para mim ...
Até mais ...

Comentários:


É difícil escrever alguma coisa quando não se tem nada a escrever, pois bem, quem sabe alguma coisa aflora neste meu cérebro desprevenido de pensamentos e acontecimentos mil, creio que se tudo que eu monologasse fosse geralmente gravado, estaria certo de que teria muita coisa para postar aqui, pois gosto muito de falar as coisas para que eu mesmo ouça. Paro um pouco e tento lembrar de algo ou até mesmo criar um texto ficcional, mas ... meus caros colegas são "ócios do oficio", ou melhor da mente mesmo, se é que me entendem. Pensando bem, consigo enxergar um vago resquício de memória...
... estava eu no ônibus um dia destes indo para Santana, um bairro aqui em São Paulo, quando me deparei com uma leva jovens saindo de suas respectivas escolas, no percurso da trajetória do veiculo fiquei pensando que menos de três meses atrás eu era um deles, e bateu uma saudade imensa dos meus tempos de escola. Quem lê estas linhas mal feitas pensa que sou um cara velho que fica lamentando a sua senilidade discutindo suas memórias estudantis, não esqueçam que tenho somente 18 anos, mas uma coisa latente em mim é sentir saudades de tudo, até mesmo dos tempos em que eu não era mais que um ser inexistente, ou seja, sinto uma nostalgia estranha logicamente ligada a épocas distantes e até mesmo remotas.
Sou uma pessoa muito ligada em objetos antigos, historias de outros tempos, tempos estes que em nada fazem lembrar o presente momento, aprecio as coisas que me fazem viajar à um passado, gosto de pedras e rochas, até desde pouco tempo atrás estava decidido em fazer geologia, uma idéia que perdurou desde a 4a. série, mas que definhou por causa da falta de coragem em enfrentar a química, matemática e física, gosto de geologia porque ela me causa um espírito desbravador e ao mesmo tempo autodidata, pois a pessoa se torna um pesquisador que vai em busca de seus próprios conhecimentos para designar um trabalho que dependerá de sua total responsabilidade, mas enfim, gosto também de selos até tenho alguns mas nada em caráter de coleção, gosto de livros, isso não há duvidas, as histórias que mais me fascinam são aquelas de cavalaria, de cortes reais, de peregrinos, etc, na verdade um livro tem que me dar uma visão cinematográfica, pois é constante a minha busca de atores e atrizes para compor o elenco de personagens do romance, acho isso comum entre as pessoas que lêem, principalmente entre os responsáveis por filmes, novelas, teatros e etc. Gostaria de saber se isso é algo comum entre vocês que gostam de apreciar a arte da literatura? Finalizando, gosto de tudo que cria uma vazão e me faz distanciar-se do mundo contemporâneo, podendo ser uma música, um livro, um filme, adoro filmes e não fico perdendo tempo analisando possíveis críticas decorrentes de um punhado de gente que acha que são os donos da verdade e rotulando as coisas ao seu bel-prazer.
Essa semana eu aluguei filmes: "As Lendas da Paixão", já o assisti umas seis vezes, é um dos filmes mais belos que já assisti e um dos que eu mais gosto também, justamente por ser triste, gosto de filmes assim; "Planeta do Tesouro", é uma animação muito divertida baseada na obra do autor da Ilha do Tesouro, não me recordo seu nome agora, uma versão intergaláctica desta obra grandemente fantástica, no sentido de fantasia mesmo; "As Pontes de Madison", que não deu tempo de assistir; "Pocahontas", sendo um dos primeiros filmes que aluguei quando meu pai comprou o vídeo aqui de casa, é um desenho muito bem feito, na minha opinião que não é técnica mas plástica, mostra a imponência da cultura indígena dos norte-americanos e de certa forma nos faz refletir o baque causado pelo encontro de tais culturas, fazendo-nos pensar como a vida dos indígenas foi alterada desde então; "O Senhor dos Anéis: As Duas Torres", não sei se foi uma falta de observação minha mas, cadê as Duas Torres? Não as vi, elas estavam lá? Mas mesmo assim gostei mais deste do que do primeiro! Fazendo um balanço final dos filmes: valeu a pena!
São tantas coisas que me apego, como se eu quisesse viver em uma época que não foi minha, fico imaginando como as pessoas viviam no passado, seus comportamentos, seus sonhos, seus empreendimentos, suas riquezas, enfim, quando leio livros, vejo fimes, guardo selos, fico imaginando tudo isto, até mesmo colecionando rochas isso me vem a mente, pois as rochas são testemunhas da idade da Terra e são moldadas por eras intermináveis, pelos ventos, pelo fogo, pelo ar e pela água e, finalmente, a mão do homem vem dar o toque final extraindo da pedra a sua beleza.
Finalmente vou vivendo nessa constante busca do passado, meu passado e conseqüêntemente de todos nós!
Até mais pessoal ...

Comentários:



Sábado, Fevereiro 14, 2004


Em sonhos eu te disse que admirava o céu em seu estado crepuscular, com suas cores confusas se misturando e refletindo o requiém do Sol, cerimônia de passagem entre o dia e a noite, o céu em suas matizes laranjas, roseas e timidamente azuis, formando assim uma aquarela fortemente aguada, um mármore em efeito e cores que despertam em mim uma terna saudade, como se me despedisse do efêmero momento que jamais voltará, assim eu respondi a sua pergunta. Porém, tu me disseste que achavas o céu magnâmico no desenrolar de sua noite escura, levemente iluminada pelo brilho das estrelas, estrelas estas de varias cores e distâncias, disseste que o céu escuro da noite te inspirava misticismo e que a Lua, grande astro, completava tal quadro de mistério, um lindo quadro de amores e fulguras, pois o que há de mais romântico do que um casal em uma noite enluarada, deste modo respondeste minha pergunta.
Agora me vem a conclusão sobre nós dois: tenho o saudosismo de uma tarde em chamas, matizadas de cores múltiplas de puro lamento, de algum modo que me inspire saudade e despedida, já tu tens o romantismo e o frescor das noites estreladas e com seus luares, sobretudo tens o fulgor das noites misteriosas, logo, nós dois, ao sermos de tal modo um só ser, detemos todos os segredos da felicidade, como a saudade e o sentimento efêmero dos apaixonados que se energizam a cada noite romântica e misteriosa, como o subjetivismo causado pelas noites de luares nacarados, subjetivismo este que o misticismo trata de converter a saudade que sinto por tí em amor eterno nas noites que duram a eternidade em teus afagos...

...Até mais pessoal ...

Comentários:



Domingo, Fevereiro 08, 2004



A NOITE DE TODAS AS ALMAS


Fogueiras pontuam as encostas onduladas.
Figuras dançam ao redor e ao redor.
Tambores pulsam ao longe os ecos da escuridão,
movimentando o som pagão.

Em algum lugar dentro de uma memória oculta,
imagens flutuam diante dos meus olhos.
Das perfumadas noites das palhas e das fogueiras
e dançando até o próximo nascer do Sol.

Eu posso ver luzes na distância,
tremulantes no manto escuro da noite.
Candeias e lanternas estão dançando, dançando,
uma valsa pela noite de todas as almas.

Figuras de talos de trigo curvam-se nas sombras,
sustentando-se bem alto, como as enormes chamas a pularem.
O cavaleiro verde adentra a mata sagrada
para indicar por onde o ano velho vai nos deixar.

Eu posso ver luzes na distância,
tremulantes no manto escuro da noite.
Candeias e lanternas estão dançando, dançando,
uma valsa pela noite de todas as almas.

Fogueiras pontuam as encostas onduladas.
Figuras dançam ao redor e ao redor.
Tambores pulsam ao longe os ecos da escuridão,
e movimentando o som pagão.

Fincadas sobre a ponte aquelas cruzes.
O rio vai-se embora para o mar.
O vento está saturado de milhares de vozes.
Elas caminham próximas da ponte e de mim.

Eu posso ver luzes na distância,
tremulantes no manto escuro da noite.
Candeias e lanternas estão dançando, dançando,
uma valsa pela noite de todas as almas.

Letra da Canção de Loreena Mckennitt.
Tradução: Luiz Lima

Comentários:



PARA QUE SERVE O HORIZONTE?


Certa vez alguém chegou no céu e pediu pra falar com Deus porque, segundo o seu ponto de vista, havia uma coisa na criação que não tinha nenhum sentido...
Deus o atendeu de imediato, curioso por saber qual era a falha que havia na Criação.
- Senhor Deus, sua criação é muito bonita, muito funcional, cada coisa tem sua razão de ser... mas no meu ponto de vista, tem uma coisa que não serve para nada - disse aquela pessoa para Deus.
- E que coisa é essa que não serve para nada? - perguntou Deus.
- É o horizonte. Para que serve o horizonte? Se eu caminho um passo em direção ao horizonte, ele se afasta um passo de mim. Se caminho dez passos, ele se afasta outros dez passos. Se caminho quilômetros em direção ao horizonte, ele se afasta os mesmos quilômetros de mim ... Isso não faz sentido! O horizonte não serve pra nada!
Deus olhou para aquela pessoa, sorriu e disse:
- Mas é justamente para isso que serve o horizonte... " para fazê-lo caminhar "

...

Comentários:



Sábado, Fevereiro 07, 2004


São João da Cruz, conhecido como fundador e frei integrante da Ordem dos Carmelitas Descalços, ordem religiosa iniciada há cerca de 500 anos atrás, foi um exímio poeta, sua obra dotada de misticismo e religiosidade veio a influenciar, eras mais tarde, a poesia do simbolista Cruz e Souza. A poesia de João da Cruz se caracterizava por um trabalho rico e delicado, tendo em suas obras, em caráter metafórico, uma poesia de amor voltada ao seu Deus, porém, poderia ser relacionada ao amor entre duas pessoas em qualquer época. Após muitas dificuldades com os carmelitas da antiga observância, João da Cruz é preso e levado para um convento, onde é maltratado e experimenta a aridez da "Noite Escura".


NOITE ESCURA

Em uma Noite escura,
com ânsias em amores inflamada,
ó ditosa ventura!,
saí sem ser notada.
estando minha casa sossegada.

A ocultas, e segura,
pela secreta escada, disfarçada,
ó ditosa ventura!,
a ocultas, embuçada,
estando minha casa sossegada.

Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma cousa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.

Ó Noite que guiaste!,
ó Noite amável mais do que a alvorada!,
ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!

No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.

Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.

Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.

(tradução de Jorge de Sena)



No cárcere começa escrever seus poemas que, mais tarde, tornar-se-ão as grandes obras que hoje temos dele. Passados alguns meses ele foge e continua a Reforma Carmelitana. Frei João da Cruz vive em várias casas exercendo brilhantemente a função de superior e orientador de almas.
O poeta místico, designado como santo, morre em 1591 legando para nós um patrimônio espiritual riquíssimo, que ainda continua orientando os homens na vida espiritual. João da Cruz é um guia certo para todos aqueles que desejam escalar o monte da perfeição. Um poeta de extrema importância para a literatura religiosa e para a secular também, pois seus poemas evocam o que há de mais belo em termos de poética, sua poesia como um todo, sem exageros, invade a alma do ser que a sente, não é muito difícil admitir a contemporaneidade de sua obra, pois desde sempre se buscou a escala da perfeição e aos assuntos de Deus, já que somos incertos de nossa passagem para a possível vida que nos espera após a morte, já que somos leigos por natureza e estamos participando de um grande palco, aonde o mundo é um teatro dirigido por Deus e a vida é uma comédia ou uma tragédia e cegos pelo cenário, esquecemos de onde viemos e para onde vamos, ou seja, aquele antigo dilema: qual o sentido da vida? São João da Cruz talvez tenha descoberto, pois escreveu como ninguém para o seu Deus, talvez Deus seja o sentido da vida e só uma alma tão sublime quanto a dele tenha sentido isso, já que na vida nos é permitido sentir.
Gostaria de ir mais profundamente na obra de São João da Cruz e conhecer a sua Via Sacra, os seus ais, as suas penas e os seus delírios, sentir em cada verso de seus poemas uma escala para chegar ao máximo que nos é vetado, enfim conhecer as suas ânsias e a sua vida.

Buscando meus amores
Irei por estes montes e ribeiras;
Não colherei as flores,
Nem temerei as feras,
E passarei os fortes e fronteiras.
( Cântico Espiritual, III)

Comentários:



Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004


Estou ouvindo muitas músicas ultimamente, músicas de todos os tipos que manda o bom senso, eu acho que estou passando por uma fase solitária e o papel da música seria, como sempre, o de espantar os meus males, assim como diz o ditado, não que eu esteja sozinho por não ter alguém com quem conversar, fato que já me aconteceu num momento muito crítico para mim, numa época que eu me refugia na literatura, e como já comentei, cheguei a ler muitos livros feito um louco, me lembro que escrevi num livro que ele era o meu melhor amigo, hoje eu necessito de ficar um tempo só comigo mesmo, e quando isso acontece, acho o que eu preciso, paz na alma, só me sinto assim quando ouço uma bela música no escurinho do meu quarto. Têm-se muitas vantagens em curtir um pouco o som do silêncio, pode parece maluquice em se ouvir tal som, mas ele existe e só se deixa ouvir quando todos os outros sons se calam, assim como o Uirapuru que na Amazônia canta quando todos os outros pássaros param de assoviar, esse som de que falo é a consciência de cada um de nós, ouvi-la é mais que uma vontade, é uma necessidade para mim, pois gosto de refletir sobre mim, analisar a trajetória da minha vida e buscar ver o sentido de minha existência.
Quando falo em solidão, penso nos monges que vivem "enclausurados" nos mosteiros do Tibet, e penso o quão são privilegiados, vivem nas alturas do teto do mundo, mais perto da consciência coletiva que é Deus, lembro também de um livro que li, ZOROASTER,que conta a história do profeta Zaratustra, esse homem nasceu como um ser comum e passou boa parte de sua vida procurando o salvador que viria resgatar o seu povo do mal, conhecido como Saadi, tal homem, buscava em todos os lugares o escolhido, que tinha por nome Zoroaster, procurando por todos os lugares veio descobrí-lo na solidão após dez anos de reflexão tirando a conclusão ser ele próprio o preparador do caminho, aquele que conduziria o seu povo à salvação, Zoroaster, não mais Saadi, viria a fundar uma religião que permaneceu em vigor por muito tempo na região da Pérsia, o Zoroatrismo, fundamentando o caminho que leva até deus, e assim destruindo o poder de Ormuz, ente do mal mantido pela própria perversidade humana.
Neste exato momento estou ouvindo "Romaria", interpretada por Elis Regina, esta música me lembra o período da literatura conhecido como Barroco, o homem desse período, levado pela sua falta de perspectiva perante a sua sujeição diante da sua condição de mortal, dizia ser a vida passageira, e essa transitoriedade da vida, relacionada à presença da morte e da degradação física e moral foram marcantes na arte produzida no barroco. "Romaria" evoca essa atmosfera de incerteza, a falta de perspectiva do homem e a sua vida errante que o faz buscar Deus em procura da salvação de sua alma, que é eterna. Esta música tem uma verdade, diria que explicita nela, a afirmação de que vida é uma passagem e de que a morte não existe quando se está com Deus. Empoeirados de arte rebuscada o Barroco reluz ao brilho do ouro das Igrejas encantadas, os seus cantares melodiosos ainda está a nos rondar nas letras de muitas músicas que hoje refletem a profundidade das letras douradas de um tempo antigo, não tanto assim, mas rebuscado por natureza.
Na verdade, acho esta música muito verdadeira e subjetiva também!

Comentários:



Quinta-feira, Janeiro 29, 2004



LÁGRIMA

Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
Com mais penas me levanto
No meu peito
Já me ficou no meu peito
Este jeito
O jeito de querer tanto

Desespero
Tenho por meu desespero
Dentro de mim
Dentro de mim o castigo
Eu não te quero
Eu digo que não te quero
E de noite
De noite sonho contigo

Se considero
Que um dia hei de morrer
No desespero
Que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile
Estendo o meu xaile no chão
Estendo o meu xaile
E deixo-me adormecer

Se eu soubesse
Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias de chorar
Por uma lágrima
Por uma lágrima tua
Que alegria
Me deixaria matar
...

Comentários:



Sábado, Janeiro 24, 2004


Olá pessoal! Espero que tenham lido o texto que fiz sobre São Paulo, que não deixa de ser o meu ponto de vista sobre a cidade e, em parte, um pouco da minha história, mesmo que ínfima. Estive um tempo sem postar, alguns acontecimentos fizeram com que eu ficasse afastado da Internet, uma delas foi a minha ida à casa de meu irmão que mora em Guarulhos para passar alguns dias, longe de qualquer computador fiquei impossibilltado de escrever os meus textos, logo que vim para casa passei direto para casa da minha irmã que estava sozinha, pois seu marido havia ido para Bahia por um motivo de força maior, então, passando direto para Perus, o bairro aqui em São Paulo que mora minha irmã, permaneci por 3 dias, chegando em casa, já sem animo porque minha mãe estava de cabelo em pé em consequência da conta de telefone, nem preciso dizer que era alta, bom já disse, portanto fiquei um bom tempo sem entrar na rede. Explicado? Bom já viram o quão sou um turista familiar, daquele tipo que só faz turismo na casa da família, que pena que não tenho parentes em Londres, quiça, estaria bem arranjado não?
Resolvi fazer algumas mudanças quase desapercebidas no meu tlempate, se vocês são ótimos observadores, notarão que eu clareei um pouco o tom da figura do fundo dos textos, pois o estava achando um tanto pesado, agora está bom, pelo menos na minha opinião, e não sei porquê mas apareceu no layout uma peguena faixa branca no lado direito, eu não sei se é porque o meu monitor é de 14 polegadas, bom mas pensando bem isso não tem nada a ver, pelo menos eu acho, sem falar que eu não consigo entrar no meu arquivo.
Hoje estou com vontade de escrever um monte de bobagens, por exemplo, eu percebi que há no meu modo de escrever um excessivo no. de vírgulas que eu não sei se é normal, bom mas ninguém morre por vírgulas e sim por preocupações, últimamente ando meio preocupado com o meu vestibular que cai no dia 05 de fevereiro, vou prestar para Biblioteconomia e estou ansioso por isso, mas o que me preocupa é que eu tenho que arranjar um emprego urgente, até porque minha faculdade é paga e se eu não conseguir uma bolsa, de preferência integral, vou ter que pagar do meu bolso, mas já pensando no futuro já me inscrevi no concurso público de Escrevente Técnico Judiciário, minha prova cai em 27 de fevereiro, já comprei a apostila e agora é só estudar, principalmente noções de Direito.
Pra finalizar eu gostaria de mandar um beijo pra Mônica, Sheila e Amanda, dizer que estou morrendo de saudades das nossas bobagens em sala de aula, um abraço pro Leandro e pro Bruno, para a Nayra, para a professora Cibele, para a D. Hysaco, a bibliotecária, enfím, estou com saudades de todos vocês!!!

Comentários:



PARABÉNS SÃO PAULO PELOS SEUS 450 ANOS!!!


25 de Janeiro é o dia do aniversário de São Paulo que foi fundado em 1554 pelos jesuítas, neste dia também comemora-se o dia da Conversão do apostolo Paulo ao Cristianismo, sendo a primeira missa do povoado de Piratininga realizada em sua imagem, os jesuítas decidiram chamar de São Paulo de Piratininga os territórios marcados pelo domínio do colégio, erguido para catequizar os índios da região, assim surgiu o povoado de São Paulo de Piratininga, piratininga de origem tupi-guarani e quer dizer "peixe seco", devido aos peixes que morriam nas margens dos rios que margeavam o vilarejo quando do recuo das águas após as grandes cheias que sofriam decorrente das chuvas. São Paulo foi crescendo quase que estagnadamente até meados do século XIX quando veio a surgir a cultura do café, aos poucos a vila de São Paulo foi enriquecendo e se transformando na metrópole mais rica do Brasil, com a riqueza os costumes foram ficando europeizados os barões do café decidiram mais que nunca transformar a cidade provinciana em uma verdadeira Europa tropical, daí que surgiram os grandes empreendimentos que firmaram a antiga vila no mundo das artes e da riqueza que persiste até os dias atuais, transformando-a em uma verdadeira metrópole.
SÃO PAULO NÃO PODE PARAR! Todos nós ouvimos esta frase a todo o momento e sabemos que São Paulo não pode parar mesmo! Grandiosa é a nossa cidade feita pelos braços fortes dos nossos imigrantes de todas as partes do mundo e dos nossos migrantes vindos de todo esse mundo chamado Brasil, principalmente do nordeste, sei disso não por consultar estudos estatísticos ou por assistir a matérias televisivas, e sim porque sou um deles, cheguei por aqui há 10 anos atrás, vindo com os meus pais e irmãos para recomeçar uma nova vida, pois é justamente isso que a grande Cidade inspira em todos que chegam por aqui, a esperança de recomeçar do zero num anseio de ser feliz. Na minha cidade, Sumé-Paraíba, vir para São Paulo era sinônimo de se dar bem na vida, ainda bem que as pessoas já não se iludem tanto assim, não vou dizer que São Paulo foi cruel para com a minha família, pois não foi mesmo, mas muitos não tiveram a mesma sorte que gozo dela, não que eu tenha alguma coisa de valor material, estarei mentindo se disser que possuo bens, mas tenho o estudo e a cultura que adquiri através dos livros que tenho a oportunidade de ler, daí me lembro que muitos dos que chegam aqui em vez de encontrar o que São Paulo tem de melhor para oferecer aos seus cidadãos, encontram a miséria acentuada ao seu redor, desesperançados as pessoas acabam se acostumando com a pobreza vigente.
Mas me orgulho de fazer parte desta Paulicéia desvairada que cresce para todos os lados, avança sobre as outras cidades num processo de conurbação, cresce para cima assim como as antigas igrejas góticas feitas de concreto e vitrais, hoje há os prédio altos, que almejam o céu, com os seus vidros espelhados que roubam o título de templos do mundo contemporâneo, capitalista e globalizado, a cidade cresce para baixo com os seus túneis viários e com os seus projetos de desafogar o transito caótico que afoga as vias terrestres por onde passam milhares de automóveis e pessoas alteradas. A cidade oferece obras de arte do mundo inteiro, ela nos presenteia com a sua arquitetura eclética, que por esforços públicos e privados, estamos recuperando a riqueza arquitetônica da nossa cidade que já desde há algum tempo tornou-se a cidade mais importante do país, partindo de uma vila que ficou perpetuada no ostracismo por três séculos, São Paulo é uma cidade urbana das mais urbanas do mundo e que há muito tempo perdeu seu ar provinciano só preservados nas pessoas que vêem de todos os interiores do mundo para fazer dessa metrópole única.
São Paulo possui a grandeza das grandes cidades, só que com uma diferença, uma pitada de humanismo que invade essa atmosfera um tanto conturbada, as pessoas ainda acreditam na felicidade coletiva, elas te recebem com um sorriso espontâneo nos lábios, elas te acolhem com boas vindas, as pessoas ainda acredita no próximo, digo que tal metrópole foi feita para abrigar o mundo, enfim, é difícil detalhar essa cidade que tem mil facetas, que tem mil nações em suas ruas, que abriga muitos climas, muitos aspectos contrastantes, que abriga a desigualdade social com um requinte de extremismo, que há um contraste perene entre o novo e o velho, que abriga as riquezas do mundo e que detém algumas das pobrezas de um povo desesperançado, de um povo iludido pelas luzes sedutoras da grande metrópole, de um povo que vem saciar a sua fome de viver, mas que nunca desistem de serem felizes. São Paulo pode ter perdido há muito tempo o titulo de terra da garoa, pode ter deixado de ser a terra das oportunidades, pode ainda ter se tornado uma cidade estranha para muitos, mas nunca foi o túmulo do samba, como alegou o poetinha Vinícius de Morais, pois para responde-lo digo que São Paulo, pelo contrário, foi o berço do samba, as composições do Adoniran Barbosa até os nossos dias embalam o saudosismo paulistano, o nosso samba vigora o bucolismo dos tempos em que o Brasil via pela primeira vez o progresso vindo das fábricas do Brás e da Mooca, o berço do samba feito pelos nossos ilustres paulistanos, finalizando, fomos a raiz do samba de boa qualidade e o restante baseou-se neste gingado ritmado. Antes de tudo, São Paulo merece o respeito de todos os seus cidadãos. Quem ama trata, então declare seu amor à São Paulo cuidando dessa metrópole, preparando este lugar para que as gerações futuras venham desfrutar de uma bela cidade e um lugar seguro!!!
Parabéns São Paulo pelos seus 450 anos, parabéns São Paulo pela sua importância em nossas vidas e pela sua importância vital para o nosso Brasil !!! Declaro meu amor a ti !!!

Comentários:



Sábado, Janeiro 03, 2004


Olá Pessoal! Shows pirotécnicos de Fim de Ano só no final deste 2004, é óbvio! Fiquei algum tempo sem escrever aqui, não sei, mas uma falta de inspiração se apossou de mim, e já sabem, aquele clima natalino, que por sinal é "horrível", como se um espírito estivesse rondando a nossa volta e trazendo angustia em vez de felicidade, toda essa confusão que é essa época, afetou um pouco a minha mente já cansada - quem vê pensa que tenho 90 anos de idade -, bom, mas sempre quis evitar a fadiga mental e neste período melancólico aproveitei para descansar meu espírito.


Mask and Mirror - Loreena Mckennitt


Ganhei um CD maravilhoso da minha musa celta, a Loreena Mckennitt, o CD "Mask and Mirror" tem tudo da melhor qualidade em se falando de música folclórica, 8 faixas ilustram o espiritualismo existente na região dita austral, no período medieval, seja em cruzadas através dos continentes, seja em mercados populares, como o de Marrakesh, ou seja, pela peregrinação de fieis pelo caminho de Santiago de Compostela, o CD impressiona pela sua beleza, percebo que nenhum artista trabalha com tanto rigor por um trabalho ilustre, como a canadense Loreena, ela é o tipo de artista que é completo, o tipo de cantora que eu gostaria de que todas as pessoas ouvissem e apreciassem a sua música de qualidade, mas enfim, nem todos temos ouvidos sensíveis o bastante para perceber o que ouvimos, na maioria das vezes ouvimos as músicas, mas não as escutamos, não percebemos o que ela quer dizer nas entrelinhas, isto é, quando se tem subtexto, ouvimos música porque pode ela lembrar a dor de uma traição ou o sofrimento de um amor não correspondido, muito mais que isso, a música é como se fosse uma poesia, sim é uma poesia pois tem seu valor poético, a música é um poema em ritmo próprio, a música consegue chegar a alma mais do que qualquer outra arte, e é isso que sinto quando ouço música de verdade, quando ouço Loreena Mckennitt!
Este CD, como já disse, pode-se chamá-lo de Rapsódia Cultural, por conter facetas de algumas culturas, mais especificamente, euro-orientais, falo assim. O encarte do álbum inicia-se justamente assim:

"O meu olhar vagueou através da janela aberta sobre a Espanha do século XV, através dos tons do Judaísmo, Islamismo e Cristianismo, e foi atraído para um mundo fascinante de história, religião, fertilização, inter-cultural ... Desde o território mais familiar da costa Oeste da Irlanda, através dos trovadores em Franca, atravessando os Pirineus em direção a Oeste através da Galiza, descendo através da Andaluzia, para alem do Gilbratar e Marrocos ... As cruzadas, a peregrinação a Santiago de Compostela, os Cátaros, os Templários, os sufistas do Egito, as mil e Uma Noites na Arábia, as imagens sagradas Celtas de árvores, o Evangelho Gnóstico ... quem foi Deus? O que é a Religião e o que é espiritualismo? O que foi revelado e mantido em segredo? ... e o que foi a máscara e o espelho?"

Palavras da Loreena estas, percebe-se sua alma nesta pequena introdução de "Mask and Mirror", viu como não é uma cantora qualquer? Além de tudo, ela é formada em Letras, esta vendo a diferença? Procure conhecer quem você realmente ouve como cantor, procure escutar as músicas e não simplesmente ouvi-las, busque a sua alma através das canções que fazem sua cabeça, sinceramente, ouçam Loreena Mckennitt, percebam sua voz entrar como um susurro em sua alma! Envolvam-se !!!
Até mais ...

Comentários:



Sábado, Dezembro 27, 2003


Olá pessoal! O Natal 2003 já é passado e o futuro é agora! Correremos todo o 2004 para voltar dois mil e quatro anos antes, quando em um estábulo, mais certamente numa manjedoura, nasceu o Messias, envolto de carneiros, vacas, pastores, reis magos e seus progenitores, quando uma estrela com uma luz intensa brilhou acima de Belém e todos na terra naquele momento souberam que o salvador nascera, e nascera para salvar o mundo do pecado e da iniqüidade. Mas Jesus não conseguiu salvar o mundo da corrupção, nem o símbolo nato do Natal saiu ileso ao forte imperialismo estadunidense, sim, pois a "Papa Noel" não passa de uma criação estupefata da nata capitalista para atrair o poder pecuniário à uma festa de amor e paz, num mundo aonde as crianças veneram o bom velhinho só porque o mesmo os traz presentes de Natal, uma tradição esta que de certo modo humilha as pessoas porque a grande maioria não pode comprar algo para os seus filhos, vivemos em um país em que cerca de cinqüenta milhões de pessoas vivem na miséria, e no entanto o carinho e afeto que deveriam ser dados com veneração suprema é substituído pelo querer do presente material, presentes estes que o "Santa Claus" deixa embaixo de uma árvore que em nada tem a ver com a Natividade de Cristo, pois até onde eu sei, nunca vi pinheirinhos em Belém, posso estar enganado, mas nunca ví. Francamente, nada se tem para comemorar, basta ver o mundo a nossa volta e reparar que o bom velhinho deixou muita gente sem presente! Sempre devemos lembrar que os presentes mais importantes não se embalam em papéis de presente e em caixas de papelão, e sim são entregues com afeição e carinho, pois o amor e a solidariedade são regalos que não se compram, mas que se conquistam!!!
Até mais ...

Comentários:



Domingo, Dezembro 21, 2003



"Natividade" , óleo sobre tela, by James B. Janknegt's


.::. OS TRÊS REIS MAGOS .::.


"No tempo em que Jesus nasceu, viviam no mundo três magos, que eram reis e tinham seus reinos dos lados da Arábia. Eles amavam a Deus e eram respeitados pelo povo. Esses magos eram: Melquior, o branco, Gaspar, o caboclo, e Baltazar, o negro.
Um dia eles estavam trabalhando e, como perceberam no céu certos sinais que só eles entendiam, desconfiaram que o Menino Deus ia nascer. Depois, então, como aparecesse no céu uma grande estrela de rabo comprido, eles se convenceram e saíram pelo mundo à procura do Menino Deus.
Os três saíram juntos e assim viajaram muitos dias, até que ouviram dizer que o menino daria uma coroa a quem chegasse primeiro. Então, quando chegaram numa encruzilhada, os dois reis brancos resolveram fazer uma traição ao rei mago preto. Apearam de seus cavalos fingindo muita canseira e disseram: "Baltazar, nós não agüentamos mais esta viagem, po isso achamos bom que você continue sozinho. Tome este braço da encruzilhada, que por ali o caminho é mais curto".
Era mentira: aquele era o caminho mais longo. Baltazar foi e chegou primeiro do que os outros. Quando os outros dois chegaram, já encontraram o rei preto muito feliz com Nosso Senhor no colo e a coroa presente na cabeça. Quase que morreram de raiva, mas não falaram nada.
Três dias depois, resolveram regressar e pelo caminho, como não podiam tomar a coroa de Baltazar, começaram a caçoar com ele. Tanto caçoaram, tanto zombaram, que Baltazar se desesperou e jogou a coroa no primeiro rio por onde passaram.
Deus que tudo viu, ficou magoado com os brancos e disse: - Eu corôo Baltazar por dentro, que dos três, ele que é preto, será sempre o mago mais forte."

(Estórias de Nosso Senhor Jesus Cristo colhidas no estado de São Paulo, por Oswaldo Elias Xidieh. Narrativas populares; estórias de Nosso Senhor Jesus Cristo e mais São Pedro andando pelo mundo)

Texto retirado do site Jangada Brasil - edição n' 16 - Dezembro de 1999

Comentários:



Naturalmente by João Quintela


"ÁGUAS PASSADAS"

Da grande janela colonial que beira o riacho rotineiro
Sozinho está a despejar suas lembranças amargas
No leito do curso que as recebem cordialmente
Descendo as encostas avante cheias de amarguras, um velho.

Debatendo-se em rochas lá estão uns resquícios de vida
Morrendo afogados nas pequenas corredeiras seixosas
E suas brandas espumas empurram-nas para longe
Longe das vistas de um velho que desabafa às Ondinas.

E algumas árvores são testemunhas desse jorro lacrimoso
Olham com penar memórias desmanchado-se nas águas
Resíduos de um velho peregrino sem pátria, bens e família,
Que de um casarão abandonado olha a vida num ultimo instante.

Prevendo sua morte, limpa sua alma dos desprazeres da vida...
Despeja no rio as magoas sentida das pessoas que já se foram.
De seu amigo, grande companheiro que morreu repentinamente...
Sem o ver na hora em que seus olhos expiraram pela ultima vez.

Chora ao lembrar de sua mãe que pranteava ao vê-lo partindo,
Como queria ter ficado para sempre ao seu lado!
Se soubesse que seria tão trágico o seu fim jamais teria partido
E desejou ser sempre uma criança e não um homem largado!

Despejou no rio o medo das noites dormida no grande casarão,
O medo do abandono presente que o cercava por todos os lados
Cria ver pela casa certo movimento à noite, como um baile...
São memórias do casarão, um tempo que nunca foi o seu.

Queria morrer em plena luz do sol, mirando o vai e vem das águas,
Queria se jogar de vez ao encontro das Ondinas que o ouviam.
A ruína manifestara-se em sua casa, em sua vida e, em seu corpo...
E só restara morrer em suas memórias que ainda resistiam-na.

Morreu, num dia ensolarado olhando o rolar das águas infindas.
Após ter lançado muito de suas vagas lembranças em desalento
Como um cavaleiro, venceu a vida e descansou no esquecimento...
E do casarão sobrou a lembrança de um velho cigano sem pátria...

O rio... O rio continua seu trajeto perene de despejar suas carregadas águas no mar..."

(Kleiton Camargo R. do Nascimento)

Comentários:



Sábado, Dezembro 20, 2003



"Estação Solitária" by Elias Monteiro


Às vezes a solidão pode nos parecer desesperadora, pode doer dos ossos à alma, podendo ela nos transformar em pessoas emparedadas, às vezes o eu-solitário pode pensar que é incompreendido, assim se tornando uma pessoa sozinha! Digo "às vezes" porque a solidão pode ser uma companheira fiel também, pode se tornar um amigo invisível, quando em nossa infância nunca tivemos um? A solidão pode ser bem vinda quando se é desejada, pois podemos nos lamentar sem ter vergonha de olhos inquisidores, a solidão é bem vinda quando se está cansado de ver pessoas, a solidão nos é mui amiga e ela nos visita diariamente, sua estadia possivelmente torna-se agradável, justamente por ela ser um ser invisível e abstrato, a solidão nos faz enxergar o quanto inútil é o ente que pensa ser inteligente, que deduz estar rodeados daqueles que se dizem seus amigos, que percebe que o mundo é uma vitrine e os seus olhos são espelhos da vida lá fora, enfim, a solidão é um espírito etéreo que nos rodeia!
Logo, existe uma frase dita por um conhecido meu que fala que tudo em excesso é veneno, digo que a solidão quando se torna excessiva ameaça a saúde de nossa alma, pois ninguém vive sozinho, sempre precisamos da ajuda das pessoas que nos cercam, precisamos dividir os nossos sentimentos antes que eles nos sufoquem, precisamos ver sorrisos, necessitamos de sentir que nós somos necessários à alguém, está em nossa mente o companheirismo, mesmo que o mundo pregue o contrário, que o mundo torne você um ser único, original, individual e etc, até concordo em termos, pois a vida presentemente é assim mesmo e não convém querer mudá-la, as pessoas jamais quererão abrir mão do que é seu, creio que em tudo há um subtexto, acredito que ninguém faz algo em troca de nada, não existe favores espontâneos, as pessoas sempre esperam que você reaja positivamente para elas, seja com favores, sentimentos, carinhos, até mesmo com dinheiro, fama e com prestígio, mais uma vez isso prova que dependemos profundamente do convívio social, do convívio comunitário, e às vezes a solidão ajuda a nos fazer refletir sobre essas coisas!
Mas quem não gosta de ficar sozinho esporadicamente, ouvir músicas gostosas numa tarde preguiçosa, ler um romance interessante no aconchego do quarto, abrir a janela para o mundo e deixar que a luz branda do sol entre na sua vida, fazer um bolo gostoso, assistir algumas coisas fúteis na televisão, desenhar, fazer alguma coisa que você goste, como pintar, recortar, fabricar coisas, desmontar aparelhos eletrônicos, enfim, quando se está sozinho, nestes assuntos, isto não significa que você está sozinho por conseqüência, e sim, porque você quer, porque você esta buscando se conhecer e entender um pouco mais sobre a vida! Por isso eu repito: A solidão só é bem vinda quando se é desejada, e não quando é fruto de uma conseqüência! Esta frase pode ser "podre", mas é como defino este momento mágico da solidão, pois todos a desejamos, nem que seja nos momentos mais atribulados, quando procuramos andar por aí, almejando não que existisse um destino, mas que evidentemente ele termine na soleira de nossa casa!

Comentários:



Domingo, Dezembro 14, 2003


Em vez de cabelos, em sua cabeça cresciam folhagens estreladas, sabe-se que há muito tempo ele fora trazido por uma anciã às terras de Glastonbury, a Ilha dos Padres, mas como em suas veias corriam sangue mágico de Avalon não foi muito difícil atravessar as brumas que ainda separavam os dois mundos: um santo para os cristãos, Glastonbury, a ilha dos padres com seus sinos sempre a tocar; e o lugar que para os adoradores de cristo era profundamente profana, a terra de Avalon, que pelo contrario, era dedicada a Deusa-mãe Cerydwin. Agora o homem morava em Avalon, a terra que já lhe era predestinada, dizia que com o passar do tempo Avalon e Glastonbury iriam se tornar a mesma terra, os portões dos mundos iria se abrir para sempre e, qualquer um poderia chegar a Avalon, mas, graças a Deusa, este é um fato não consumado. E já que não conseguiam atravessar as brumas e visualizar a beleza mística das terras de Viviane, ignoravam tamanha beleza e mistérios de suas tenras e doces noites de Lua Cheia. Ele se chamava Heleno, filho bastardo do rei Uriens de Gales do Norte, e desde seu nascimento já lhe era tomado o destino de ser um clérigo, de um modo que pudesse esconder-lhe a identidade e prover-lhe de um modo de vida respeitável, pois por ser bastardo herdou de não gozar dos privilégios do reino de Uriens, pensando o rei que seu filho se estabelecia na clausura de alguma distante abadia, não sabia ele que fora tomado e engolido pelas brumas que levaram para a terra mágica, para Avalon fora levado pela anciã que incumbida de deixar-lhe num lugarejo distante se perdeu nos bosques encantados de carvalhos, de alguma forma adentrou a Ilha das Maças e resolveu deixar o menino ali mesmo, onde foi consagrado a Deusa e reconhecido pelo seu sangue druida. Ele cresceu sendo um conhecedor das artes pagãs entre as seguidoras da mãe, ele era o único homem que se encarregava de aprender as magias da antiga religião, em vez de padre em uma estafante abadia, cresceu feliz pelos campos verdejantes da terra mágica. Não mais Uriens soube do paradeiro de seu filho.
Por um acaso do destino quando criança lhe veio a nascer folhagens em sua cabeça, tomado-lhe de galhos o seu crânio, veio a saber que era uma dádiva da Mãe e uma conseqüência por viver entre as terras de Avalon, não que todos sofriam a mesma conseqüência, mas por ele ser homem e viver entre as seguidoras.
Quando cresceu em sua tenra adolescência, já se enxergava em sua figura um sábio sacerdote, em algum futuro próximo proveria de poderes de uma mago, como o seu irmão de sangue, o mago Taliesin, o Merlim, em sua pele um tom esverdeado se afigurava, um tom que salientava seu futuro mágico, talvez ele não soubesse que no futuro, em decorrência de sua fraqueza causada pela velhice, pois em terras de Viviane vivia-se muito, iria de uma forma natural se transformar numa imponente árvore, e em sua morte, as sacerdotisas de Avalon iriam cravar suas raízes exatamente no alto de uma campina, aonde fariam seus rituais sagrados em devoção a Cerydwin, quando em noites de luar, recorreriam a magia emanante do sacerdote Heleno, sua seiva iria alimentar o cio da terra, sua folhas iriam preparar chás para todos os tipos de moléstias e sua vida iria se eternizar na figura de uma frondosa árvore, única em espécie e qualidades.
Assim se sucedeu ao passar dos anos, grande mago, grande sacerdote, conhecedor das antigas magias e poderoso em seu meio, assim o pequeno Heleno, filho bastardo do rei Uriens de Gales do Norte, se transformou no mais sábio dos homens, no entanto nem os homens tinham o privilégio de se dedicar com tanta concentração nas artes da paz, no cuidado da natureza, pois Heleno descobriu que ele mesmo era a própria vida, que ele mesmo era a natureza e em decorrência de sua educação voltada para a magia natural que emana da terra, uma árvore floresceu no seu antigo corpo humano.
Quando os portões dos mundos foram abertos para sempre, Avalon não passava de um santuário ao céu aberto, não mais Viviane vivia, nenhuma sacerdotisa acarretava de cuidar dos estudos mágicos, nenhuma delas vivia, Avalon tinha se transformado em uma grande floresta de árvores de extrema beleza, um bosque encantado de mulheres sacerdotisas, havia se transformado em um lugar realmente mais belo, natural e poético. Nesta altura, os homens cristãos de Glastonbury, já não mais existiam também, a sua abadia estava perdida entre o bosque que floresceu frondoso entre o centro do conhecimento cristão, os homens sacerdotes de cristo em árvores se transformaram. As duas terras, agora em uma só, já não eram mais separadas pelas brumas, pelo contrário, agora se uniam pelo poder incontestável da natureza em um só bosque encantado de homens e mulheres!
Até mais ...

Comentários:



Sábado, Dezembro 13, 2003


Scarborough Fair - Simon & Garfunkel

Are you going to Scarborough Fair?
Parsley, sage, rosemary and thyme
Remember me to one who lives there
For once she was a true love of mine

Have her make me a cambric shirt
Parsley, sage, rosemary and thyme
Without no seam nor fine needle work
And then she'll be a true love of mine

Tell her to weave it in a sycamore wood lane
Parsley, sage, rosemary and thyme
And gather it all with a basket of flowers
And then she'll be a true love of mine

Have her wash it in yonder dry well
Parsley, sage, rosemary and thyme
where water ne'er sprung nor drop of rain fell
And then she'll be a true love of mine

Have her find me an acre of land
Parsley, sage, rosemary and thyme
Between the sea foam and over the sand
And then she'll be a true love of mine

Plow the land with the horn of a lamb
Parsley, sage, rosemary and thyme
Then sow some seeds from north of the dam
And then she'll be a true love of mine

Tell her to reap it with a sickle of leather
Parsley, sage, rosemary and thyme
And gather it all in a bunch of heather
And then she'll be a true love of mine

If she tells me she can't, I'll reply
Parsley, sage, rosemary and thyme
Let me know that at least she will try
And then she'll be a true love of mine

Love imposes impossible tasks
Parsley, sage, rosemary and thyme
Though not more than any heart asks
And I must know she's a true love of mine

Dear, when thou has finished thy task
Parsley, sage, rosemary and thyme
Come to me, my hand for to ask
For thou then art a true love of mine


Scarborough Fair é uma canção folk medieval inglesa. Seu nome se refere à uma feira tradicional que ocorre em meados de agosto na pacata cidade de Scarborough, localizada em North Yorkshire no noroeste da Inglaterra. A cidade foi fundada há mais de mil anos, por Skartha, um viking que se estabeleceu na região e batizada com o nome de Skarthaborg.
De autor desconhecido, a canção surgiu numa época em que o porto de Scarborough era uma importante via de comércio inglesa. Ela era cantada pelos bardos que iam de cidade em cidade, mudando a letra e o arranjo. Por isso, hoje existem dezenas de versões de letras. A versão mais fiel ao original compreende mais versos do que os que são cantados normalmente. Paul Simon aprendeu a canção com Martin Carthy, um famoso cantor folk inglês. Apesar de usar um arranjo parecido, Paul Simon nunca mencionou Carthy nos créditos em seus álbuns.
Como os trovadores medievais, a letra fala do amor de um homem que foi abandonado por uma mulher. O típico amor medieval. O cantor fala de tarefas impossíveis para tentar explicá-la que o amor, às vezes, requer que se façam coisas que aparentemente são impossíveis para ser verdadeiro.
Para os curiosos, parsley, sage, rosemary e thyme são ervas que tinham grande significado no mundo medieval. Na música, elas simbolizam as virtudes que o bardo espera do seu amor verdadeiro e de si mesmo, para que tornem possível a volta dela para seus braços.
A saber:
Parsley é uma erva muito usada contra má-digestão. Para os medievais, ela levava embora a amargura e trazia a paz de espírito.
Sage simboliza a força por mil anos.
Rosemary representa a fidelidade e o amor. Os amantes gregos davam ramos de rosemary para suas amadas. Até hoje, em diversos cantos da Europa, as noivas costumam usar ramos de rosemary em seu cabelo. Ela também está ligada a sensibilidade e a prudência e está diretamente associada ao amor feminino, porque é muito forte e resistente, embora cresça lentamente.
Thyme simboliza a coragem. Na época em que a música foi escrita, os cavaleiros medievais usava imagens de thyme nos seus escudos, bordados por suas esposas como símbolo de sua coragem.
A citação das mesmas na canção é bem clara. O amante decepcionado deseja que seu verdadeiro amor acabe suavemente com a amargura que existe entre os amantes, tenha força ser firme no momento em que eles estão separados, fiel durante o período de solidão e, paradoxialmente, coragem para ela cumprir as tarefas impossíveis e voltar para ele quando puder.

Este texto não é de minha autoria, mas o selecionei de um site muito interessante, chamado TELESCÓPICA, sendo esta música muito apreciada por mim, assim como todas as músicas cantadas pelo Simon & Garfunkel, mas no entanto, não conhecia muito bem o seu contexto e, eis que aqui fica registrado a interessante história desta cantiga medieval!

Comentários:



Domingo, Dezembro 07, 2003



... o Amor ..

Comentários:


Quanta bagunça! Ontem antes de ir dormir eu estava reparando na minha bagunça espalhada pela casa, uma baderna infindável, parecia que um furacão havia passado. Exagerado? Talvez, mas precisava organizar aquela lastimável situação. Espalhados pela mesa, guarda-roupa, rack, estante, cama, minha bolsa da escola ... estão alguns objetos, papéis e livros que reinavam nestes estranhos lugares em desordem. Por cima da mesa se encontravam livros, CD's, papéis e mais papéis; no rack se entremeavam sacolas com mais papéis, livros, livros ... livros, quantos livros meu Deus! Sendo que a maioria não eram meus, mas emprestados; no guarda-roupa, em cima e dentro, estava uma calamidade só, mais livros, mais papéis, mais bagunça; na estante, os papéis se juntavam aos montes, papéis da escola, propagandas, revistas, livros, alguns objetos meus e etc; minha bolsa, nicho que abrigava muitas coisas que até havia esquecido, como embalagens de balas e bombons que guardo com carinho (pois é), minha bolsa, ainda estava repleta de papéis escritos pelos meus amigos da escola, alguns livros atrasados da biblioteca, muito atrasados e, que só pretendo devolver no final desta semana e alguns trabalhos e provas, sendo que eu não entendo o que me faz guardar uma prova de física em que tirei "E", mas já providenciei em joga-la no lixo, que inclusive encheu uma sacola preta, daquelas especializadas em meramente lixo. Enchi uma sacola repleta de papéis inúteis da minha vida, provas decorativas de biologia, trabalhos inúteis de geografia, provas enfadonhas de matemática e física, meros papéis de propagandas inutilizáveis, enfim, coisas desnecessárias que em nada me acrescentariam.
Libertando-me do jugo das coisinhas inúteis da minha vida eu recomeço-a como sempre deveríamos iniciar uma nova rotina, organizando as memórias e recordações das pessoas que fizeram parte da nossa vida, sim, pois a organização é um bem necessário a boa saúde de nossa vida, guardado em bolsas e pastas estão os papéis do meu passado próximo, bem conservados e ao alcance das minhas mãos, assim preservados durarão à eternidade.
Hoje de manhã me fiz de organizado e iniciei este processo um tanto cansativo, minha vida passando por uma triagem ficou organizada, minha casa se tornou mais organizada, minha mãe não mais me reclamava pela bagunça deixada por mim, minhas lembranças ficaram guardadas em bolsas e pastas, e minha vida ficou mais leve ... leve como o branco de uma nuvem no céu da minha vida, leve como o cantar suave dos passarinhos à tardinha, gostosa como uma tarde com um sol morno, bela como um dia cheio de nuvens para serem observadas, fantasiosas como um castelo em nuvens, meus sonhos alcançaram o ápice do vôo de um condor, e meus dias, não mais cansativos, se revezam com a doce saudade dos dias passados diante das minhas memórias que guardadas se tornam eternas, como tesouros no céu, aonde nem a traça e a ferrugem podem destruí-lo e nem ladrões podem rouba-los!
Até mais ...

Comentários:




This page is powered by Blogger.